Portugal e Grécia Foram Destinos “Seguros” em 2021. Hoje, a História Conta-nos Outra Coisa

- Portugal e Grécia foram destacados em 2021 como destinos europeus considerados mais seguros no contexto da COVID-19.
- A lista deve hoje ser lida como referência histórica, não como conselho sanitário actual.
- Madeira, Açores, Braga e Lagoa surgiam entre os destinos portugueses mencionados.
- A Grécia destacava-se sobretudo pelas ilhas, espaços ao ar livre e destinos de ritmo mais calmo.
- Hoje, a escolha de um destino passa menos por rankings COVID e mais por confiança, bem-estar e informação actualizada.
Houve uma altura em que escolher férias não começava pela praia, pelo hotel ou pelo restaurante com vista.
Começava por outra pergunta: é seguro ir?
Em 2021, no período em que a Europa tentava reabrir com prudência, a European Best Destinations destacou vários destinos considerados mais seguros no contexto da COVID-19. Portugal e Grécia surgiam com força nessa lista: Portugal com referências à Madeira, aos Açores, a Braga e a Lagoa; a Grécia com ilhas e localidades como Corfu, Kefalonia, Samos, Ikaria e Meteora.
Visto hoje, esse ranking já não deve ser lido como conselho sanitário actual. A fase de emergência global terminou, e as regras de viagem mudaram profundamente desde então. Mas o artigo continua a ter valor como retrato de um momento muito particular: aquele em que a confiança, a gestão local e a sensação de espaço começaram a pesar tanto como o sol e a paisagem.
O que Portugal representava naquela lista
Portugal aparecia então como um destino associado a respostas rápidas, menor densidade em algumas regiões e uma imagem de cuidado relativamente organizada.
A Madeira e os Açores eram os exemplos mais evidentes. Ilhas, por natureza, têm uma relação diferente com fronteiras, entradas, testes e controlo sanitário. Durante a pandemia, essa condição geográfica ajudou-as a construir uma narrativa de segurança: não apenas por estarem afastadas do continente, mas porque podiam comunicar regras de forma mais directa e gerir fluxos de visitantes com mais atenção.
Braga também entrava nessa conversa por outra razão: a sua capacidade de resposta urbana. A cidade tinha sido destacada em 2021 pelo reconhecimento internacional ligado à sua gestão e ao seu posicionamento europeu. No mesmo período, Braga foi eleita “Best European Destination 2021”, reforçando a sua visibilidade fora de Portugal.
Lagoa, no Algarve, surgia como outro caso curioso. Menos mediática do que Lisboa, Porto ou Albufeira, oferecia aquilo que muitos viajantes procuravam naquele momento: costa, ar livre, menor pressão urbana e uma ideia de férias mais espaçada. Em Janeiro de 2021, a imprensa portuguesa noticiava que Lagoa tinha sido incluída entre os destinos europeus considerados mais seguros no contexto da pandemia.
E a Grécia?
A Grécia tinha uma força muito própria nessa lista.
Não era apenas o imaginário das ilhas, das enseadas azuis ou das aldeias caiadas. Era também a ideia de viagem ao ar livre: barcos, pequenas praias, esplanadas, percursos junto ao mar, mosteiros no alto de rochedos, vilas onde o tempo parecia correr mais devagar.
Corfu, Asos, Kokkari, Ikaria e Meteora eram apresentados como lugares onde a beleza natural se cruzava com uma certa sensação de resguardo. Em 2021, isso importava muito.
Tal como Portugal, a Grécia beneficiava de uma imagem de destino solar, aberto, disperso e menos dependente de grandes espaços fechados. Para quem queria voltar a viajar, mas ainda não se sentia totalmente à vontade, essa combinação era poderosa.
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O que esta lista ainda nos ensina
Hoje, a pergunta já não é exactamente “qual é o destino europeu mais seguro contra a COVID?”
A pergunta talvez seja outra: que tipo de viagem nos faz sentir bem, com calma e confiança?
E é aí que esta lista continua interessante.
Portugal e Grécia não se destacavam apenas por números ou medidas sanitárias. Destacavam-se porque ofereciam uma forma de viajar que parecia mais humana naquele momento: mais ar livre, mais mar, mais pequenas cidades, mais ilhas, mais ritmo lento.
Talvez seja por isso que estes destinos continuem tão desejados. Não porque sejam “à prova” de qualquer risco — nenhum destino é — mas porque combinam beleza, hospitalidade, escala humana e uma certa leveza que, depois de anos difíceis, muitos de nós passámos a valorizar mais.
Outros destinos que apareciam na selecção
A lista original também mencionava destinos como Geórgia, Malta, Martinica, Tahiti, Cavtat, na Croácia, e Cluj-Napoca, na Roménia.
Na altura, estes lugares eram destacados por diferentes razões: menor impacto sanitário registado, medidas locais, menor densidade ou capacidade de controlar entradas e circulação.
Mas, aqui também, convém fazer a leitura certa. Esses dados pertencem a um período específico da pandemia. Servem como memória daquele momento, não como guia actualizado de segurança.
Antes de viajar hoje
Se estiver a planear uma viagem agora, a melhor abordagem é muito mais simples do que em 2021: consultar as recomendações oficiais do país de destino, confirmar eventuais exigências de saúde ou documentação e avaliar as suas próprias necessidades pessoais.
Para a maioria dos viajantes, Portugal e Grécia já voltaram a ser aquilo que eram antes de tudo isto: destinos de mar, história, comida, luz e dias longos.
Mas talvez a pandemia tenha mudado uma coisa para sempre.
Agora, quando escolhemos um lugar, não pensamos apenas no que há para ver. Pensamos também em como esse lugar nos vai fazer sentir.
Nota editorial: este artigo foi originalmente publicado no contexto das viagens europeias durante a pandemia de COVID-19. Foi revisto para reflectir o seu valor histórico e editorial, sem apresentar a lista de 2021 como recomendação sanitária actual.