Violência Contra as Mulheres em Portugal Alarmante
Os dados de 2025 mostram que a violência contra as mulheres continua a ser uma realidade inaceitável em Portugal, apesar dos avanços legais, das campanhas públicas e da maior visibilidade do problema.

- Pelo menos 24 mulheres foram assassinadas em Portugal até 15 de novembro de 2025, segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR.
- Dessas 24 mortes, 21 foram consideradas femicídios, ou seja, mortes relacionadas com violência de género.
- Apesar das leis, das linhas de apoio e das redes de proteção, a violência contra as mulheres continua profundamente presente, em Portugal e no resto da Europa.
Até 15 de novembro de 2025, Portugal já tinha atingido um número que devia inquietar qualquer pessoa.
Segundo dados do Observatório de Mulheres Assassinadas, da UMAR, pelo menos 24 mulheres foram assassinadas em Portugal nesse período. Dessas mortes, 21 foram consideradas femicídios — crimes em que a violência está ligada ao género da vítima.
São números provisórios, recolhidos através da monitorização de casos divulgados pela comunicação social, e não substituem o balanço oficial final. Mas oferecem um retrato suficientemente claro para não ser ignorado.
A comparação com anos anteriores mostra uma realidade difícil de aceitar: a violência contra as mulheres não está a desaparecer. Pode oscilar de ano para ano, pode mudar de forma, pode tornar-se mais visível em certos momentos, mas continua presente, muitas vezes dentro de casa, em relações íntimas ou depois do fim dessas relações.
Ao mesmo tempo, Portugal continua a registar dezenas de milhares de participações por violência doméstica todos os anos. Estes números podem refletir maior consciência social e maior disponibilidade para denunciar, mas também revelam a dimensão persistente do problema.
E há ainda uma parte da realidade que não aparece nas estatísticas.
Muitas situações de violência nunca chegam às autoridades. Por medo, dependência económica, vergonha, pressão familiar ou simplesmente por falta de condições para sair de uma relação perigosa, muitas mulheres continuam em silêncio até ser tarde demais.
Portugal tem hoje um quadro legal mais robusto do que tinha há uma década. A violência doméstica é crime público, existem medidas de proteção, redes de apoio e linhas telefónicas disponíveis 24 horas por dia.
Mas os números de 2025 mostram que a lei, por si só, não chega.
É preciso reconhecer sinais de risco mais cedo. É preciso levar ameaças a sério. É preciso que vizinhos, familiares, colegas e instituições deixem de tratar certos comportamentos como “discussões de casal” ou “problemas privados”.
Porque a violência contra as mulheres raramente começa no momento mais extremo. Muitas vezes começa antes: no controlo, no isolamento, no medo, nas ameaças, na vigilância, na humilhação.
E quando uma mulher diz que tem medo, esse medo deve ser escutado.
Para uma análise mais aprofundada sobre a evolução recente da violência contra as mulheres em Portugal, leia também o nosso artigo de fundo na secção Sociedade.
Se precisa de ajuda
Se é vítima de violência, ou conhece alguém que possa estar em risco, saiba que não está só.
Se está em perigo imediato, ligue 112.
Para apoio confidencial, a Linha Nacional de Emergência Social (144) e a Linha de Informação às Vítimas de Violência Doméstica (800 202 148) funcionam 24 horas por dia.
Nota editorial
Os dados relativos a 2025 baseiam-se na monitorização do Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR até 15 de novembro de 2025.
Como se trata de informação provisória e baseada em casos noticiados, os números finais poderão ser atualizados por entidades oficiais.
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