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Sabine Schmitz: a mulher que trouxe alegria à velocidade

Sabine Schmitz foi piloto profissional alemã, vencedora das 24 Horas do Nürburgring e uma das apresentadoras do Top Gear. Morreu em 2021, aos 51 anos, mas o que a tornou inesquecível foi maior do que a pista: conduzia com talento, falava com humor e parecia lembrar-nos que a coragem também pode ser alegre.
Aos 17 anos de idade, Schmitz levou o carro da sua mãe, acrescentou pneus de corrida, retirou a matrícula, e correu em volta da pista. (Imagem: Facebook / Sabine Schmitz Motorsport)
Por Clara · Atualizado a 4 de junho de 2026 · Leitura: 13 minutos Clara Monteiro escreve sobre lugares, cidades e pequenas descobertas que revelam a beleza de Portugal.

Sabine Schmitz tinha aquela confiança rara de quem não precisava de anunciar que pertencia a um lugar.

Bastava vê-la conduzir.

No Nürburgring, um dos circuitos mais famosos e difíceis do mundo, ela não parecia estar a enfrentar uma pista. Parecia estar a circular por uma zona que conhecia intimamente, como quem sabe onde a estrada muda de humor, onde o carro fica leve, onde a travagem precisa de chegar antes da coragem.

Foi por isso que lhe chamaram “Rainha do Nürburgring”.

Não era apenas uma alcunha simpática. Era quase uma descrição prática. Sabine cresceu perto da pista, conduziu ali milhares de vezes, venceu ali, trabalhou ali, assustou passageiros ali, fez rir meio mundo ali. Quando morreu, em Março de 2021, aos 51 anos, depois de uma doença oncológica, a tristeza não ficou limitada ao automobilismo. Chegou a pessoas que talvez nem soubessem explicar uma trajectória de curva, mas que reconheciam nela qualquer coisa de muito humano: alegria, coragem, talento e uma presença impossível de copiar.

E talvez seja por isso que a sua história pertence à A Boa Vida.

Não porque este seja um artigo para especialistas em carros. Não é. Também não porque todas tenhamos de gostar de corridas. Mas porque Sabine representa uma ideia que interessa muito para além do desporto: a liberdade de ocupar plenamente um lugar, mesmo quando esse lugar não foi desenhado para nós.

A menina que cresceu junto à pista

Sabine nasceu a 14 de Maio de 1969, em Adenau, na Alemanha Ocidental, e cresceu perto da aldeia de Nürburg, a menos de dois quilómetros do complexo do Nürburgring. A família estava ligada à hotelaria, e o circuito fazia parte da paisagem da infância. Para outras crianças, uma pista de corridas seria um lugar distante, quase mítico. Para Sabine, era o lugar ao lado.

Essa proximidade explica muito, mas não explica tudo.

Há pessoas que crescem perto do mar e nunca aprendem a nadar. Há pessoas que vivem ao lado de uma biblioteca e nunca abrem um livro. Sabine cresceu ao lado de uma pista e deixou que esse lugar entrasse na sua identidade.

O Nürburgring viria mais tarde a recordar que ela passou a vida “at and on” a Nordschleife, o traçado longo e lendário do circuito, completando cerca de 33.000 voltas ao longo de mais de três décadas. A própria pista sublinhou essa ligação quando inaugurou oficialmente a Sabine-Schmitz-Kurve, em 2021.Nürburgring — Inauguração oficial da Sabine-Schmitz-Kurve

Trinta e três mil voltas é um número difícil de imaginar.

Não é apenas experiência. É intimidade. É conhecer uma pista não como quem a estuda, mas como quem a repete até o corpo perceber antes da cabeça. Sabine dizia que nunca precisou de aprender verdadeiramente o Nürburgring. Estava no seu sangue.

Essa frase poderia soar teatral se viesse de outra pessoa. Nela, parecia simples.

Antes de ser lenda, era alguém que queria conduzir

É tentador contar a história de Sabine começando pelas vitórias. Mas isso torna tudo demasiado limpo.

Antes de ser a Rainha do Nürburgring, ela foi uma rapariga que queria conduzir. Treinou-se para trabalhar na hotelaria, conhecia o negócio da família, podia ter seguido uma vida completamente diferente. Mas o desejo estava noutro lugar.

Aos 13 anos, já sabia que queria ser piloto. Aos 17, segundo várias recordações biográficas, terá feito uma das suas primeiras voltas completas ao Nürburgring usando o carro da mãe, numa daquelas histórias que hoje soa quase impossível: uma mistura de juventude, atrevimento e absoluta certeza interior.

Não é preciso romantizar tudo. Era arriscado. Era imprudente. Era provavelmente uma péssima ideia.

Mas também nos diz algo sobre ela.

Sabine não parecia movida por uma ambição fabricada. A pista não era uma estratégia de carreira. Era o lugar onde se sentia chamada. E isso faz diferença.

Há uma energia particular nas pessoas que encontram cedo aquilo que as acende. Nem sempre é uma bênção fácil. Pode ser exigente, caro, perigoso, pouco prático. Mas dá uma direcção. No caso de Sabine, essa direcção tinha mais de 20 quilómetros, curvas cegas, mudanças de altitude e uma reputação intimidante.

A primeira mulher a vencer as 24 Horas do Nürburgring

Em 1996, Sabine Schmitz tornou-se a primeira mulher a vencer as 24 Horas do Nürburgring. Fê-lo ao volante de um BMW M3, pela Scheid Motorsport, com Johannes Scheid e Hans Widmann como colegas de equipa. O Guinness World Records regista esse feito como a primeira vitória feminina na prova. Guinness World Records — Primeira mulher a vencer as 24 Horas do Nürburgring

No ano seguinte, voltou a vencer.

Esse detalhe é importante. Uma vitória podia ser apresentada por alguns como surpresa, excepção, circunstância. Duas vitórias consecutivas tornam a conversa mais difícil para quem gosta de diminuir.

As 24 Horas do Nürburgring não são uma prova bonita apenas no nome. São uma corrida de resistência exigente, num circuito conhecido pela dificuldade técnica e pela imprevisibilidade. Não basta ser rápido durante uma volta. É preciso ser consistente, ler tráfego, gerir risco, aguentar pressão, respeitar a pista e ainda assim atacá-la.

Sabine fez tudo isso.

E fez numa época em que o automobilismo era ainda mais fechado às mulheres do que hoje. Por isso, a sua vitória teve duas camadas. Foi uma conquista desportiva. E foi também uma espécie de interrupção cultural: uma mulher a vencer num espaço onde tantas vezes as mulheres eram vistas como excepção, companhia, decoração ou curiosidade.

Sabine não precisava de transformar isso num manifesto.

A vitória falava.

A “taxista” mais rápida do mundo

Uma das partes mais deliciosas da história de Sabine é que ela não guardou o Nürburgring apenas para corridas oficiais.

Durante anos, conduziu o famoso Ring Taxi, levando passageiros pelo circuito a velocidades que deviam parecer, para muitos, uma mistura de terror e privilégio. A imagem é quase perfeita: pessoas comuns, fãs de carros, visitantes curiosos, todos sentados ao lado de uma mulher que conhecia cada centímetro daquele lugar e que parecia divertir-se imenso com o medo dos outros.

Daí veio outra alcunha: a taxista mais rápida do mundo.

É uma expressão leve, mas revela muito sobre o seu carisma. Sabine não era apenas uma piloto distante, fechada numa elite técnica. Ela sabia partilhar a experiência. Sabia transformar domínio em espectáculo, sem perder a seriedade da condução.

Chris Harris, apresentador do Top Gear, recordou que Sabine se tornou uma atracção no Nürburgring precisamente por essa combinação: corria, fazia provas de resistência e levava passageiros no Ring Taxi. Top Gear — Chris Harris recorda Sabine Schmitz

E talvez aqui esteja uma das razões pelas quais tantas pessoas gostavam dela. Sabine não fazia da excelência uma parede. Fazia dela uma porta.

Levava os outros consigo.

O momento em que o mundo a descobriu

Muita gente conheceu Sabine Schmitz através do Top Gear.

E há quem torça o nariz a isso, como se a televisão fosse uma forma menor de reconhecimento. Mas no caso dela, a televisão fez uma coisa importante: mostrou a personalidade por trás da capacidade técnica.

O episódio mais famoso envolve Jeremy Clarkson, um Jaguar S-Type, o Nürburgring e uma frase que ficou na memória dos fãs. Depois de Clarkson fazer a sua volta, Sabine terá dito que conseguiria aquele tempo numa carrinha.

Era uma provocação. Mas era também a melhor forma de humor: aquela que funciona porque sabemos que a pessoa talvez consiga mesmo fazê-lo.

Mais tarde, no programa, ela tentou dar uma volta ao Nürburgring numa Ford Transit em menos de 10 minutos. O resultado, 10 minutos e 8 segundos, tornou-se lendário porque a imagem era irresistível: uma piloto de elite a conduzir uma carrinha de entregas como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. O Top Gear mantém o episódio como um dos momentos clássicos da sua história. Top Gear — Sabine Schmitz contra Jeremy Clarkson

O encanto da cena não estava apenas no tempo.

Estava na atitude. Sabine não aparecia como convidada intimidada por uma televisão britânica cheia de piadas masculinas. Aparecia como alguém que sabia exactamente quem era. Ria, provocava, conduzia, corrigia, humilhava um pouco — mas sempre com aquele brilho de quem estava a divertir-se.

Não era agressiva. Era melhor.

E essa diferença muda tudo.

O humor como forma de autoridade

Sabine tinha uma autoridade pouco comum porque não parecia precisar de rigidez para ser levada a sério.

Há mulheres que, para serem respeitadas em espaços masculinos, sentem que precisam de endurecer. Falar menos. Rir menos. Controlar cada gesto. Evitar qualquer sinal que possa ser usado contra elas. Sabine fazia quase o oposto.

Ela ria. Brincava. Comentava com uma frontalidade divertida. Parecia gostar de surpreender homens que achavam que sabiam conduzir melhor do que realmente sabiam.

Chris Harris escreveu que ela adorava o efeito que causava em homens de meia-idade convencidos de que sabiam conduzir — até verem o que ela fazia. Top Gear — Chris Harris recorda Sabine Schmitz

Essa observação é engraçada, mas também revela qualquer coisa maior.

Sabine não entrava no jogo tentando imitar os homens. Entrava sendo ela própria: competente, rápida, brincalhona, directa. O humor não diminuía a autoridade dela. Tornava-a mais humana, mais acessível e, de certa forma, ainda mais poderosa.

Porque a excelência dela não vinha embrulhada em solenidade. Vinha com riso.

A chegada ao Top Gear

Em 2016, Sabine Schmitz juntou-se à equipa de apresentadores do Top Gear, ao lado de nomes como Chris Evans, Matt LeBlanc, Chris Harris, Eddie Jordan e Rory Reid. A Wired sublinhou na altura que Sabine não era estranha ao programa e recordou as suas voltas marcantes no Nürburgring, incluindo o tempo no Jaguar e a famosa volta na Ford Transit. Wired — A nova equipa de apresentadores do Top Gear

Para o público internacional, isso consolidou a sua imagem. Ela já era uma figura lendária no Nürburgring, mas a televisão deu-lhe uma escala diferente. Passou a ser reconhecida por pessoas que nunca tinham visto uma corrida de resistência inteira. Pessoas que talvez apenas se lembrassem de uma mulher alemã, muito rápida, muito engraçada, que parecia sempre capaz de transformar um carro comum numa pequena aula de humildade.

Há aqui uma diferença importante.

Sabine não se tornou famosa porque a televisão inventou uma personagem. Tornou-se famosa porque a televisão finalmente mostrou a personagem que já existia.

Frikadelli Racing e a vida em equipa

Sabine também construiu uma vida ligada à competição para lá das câmaras.

Com o marido, Klaus Abbelen, fundou a Frikadelli Racing, uma equipa que se tornou conhecida no universo das provas de resistência no Nürburgring. O nome, por si só, já diz muito sobre o espírito da coisa: “Frikadelli” vem de frikadelle, uma espécie de almôndega alemã, e combina o lado sério das corridas com um humor muito próprio.

Isto parece um detalhe pequeno, mas gosto dele.

Há uma tendência para imaginar o alto desempenho como algo limpo, frio, quase empresarial. Sabine lembrava-nos que o talento também pode viver numa cultura mais calorosa, mais local, mais cheia de personalidade. A pista era técnica, sim. Mas também era comunidade, família, restaurante, oficina, equipa, piadas, passageiros assustados, fãs à volta.

O automobilismo dela não era apenas velocidade. Era ecossistema.

Uma mulher num mundo que ainda estranha mulheres

É impossível falar de Sabine Schmitz sem falar de género. Mas também seria injusto reduzi-la a isso.

Ela não foi grande “apesar de ser mulher”. Foi grande. E foi mulher. As duas coisas existem juntas.

O problema é que, durante muito tempo, espaços como o automobilismo foram narrados quase exclusivamente no masculino. Homens a conduzir. Homens a comentar. Homens a testar. Homens a explicar. Mulheres apareciam muitas vezes como excepção, presença lateral ou curiosidade.

Sabine desarrumou isso.

Não porque tivesse uma postura cuidadosamente construída para representar todas as mulheres. Não parecia interessada em ser símbolo perfeito. Era demasiado viva para isso. O que a tornava importante era precisamente a naturalidade com que ocupava o espaço.

Ela não entrava na pista como alguém convidada a participar por favor. Entrava como alguém que conhecia melhor a casa do que quase todos os presentes.

E isso, para muitas mulheres, é uma imagem poderosa.

Não a imagem de ser sempre impecável. Mas a imagem de ser competente o suficiente para relaxar.

O que as pessoas disseram quando ela morreu

Quando Sabine morreu, as homenagens mostraram a dimensão do seu afecto público.

A Fórmula 1 escreveu que todos estavam profundamente tristes, chamando-lhe um talento incrível e uma pessoa maravilhosa que fazia sorrir. Fórmula 1 — Morre Sabine Schmitz aos 51 anos O Nürburgring escreveu que perdera a sua mais famosa piloto feminina e que sentiria falta da sua natureza alegre. Top Gear — Sabine Schmitz morreu aos 51 anos Jeremy Clarkson, Richard Hammond, Chris Harris e muitos outros prestaram homenagem. O Guardian reuniu várias dessas reacções e destacou a forma como Sabine era vista: uma pioneira, uma campeã, uma personalidade luminosa e uma figura profundamente associada ao Nürburgring. The Guardian — Sabine Schmitz, antiga piloto e apresentadora do Top Gear, morre aos 51 anos

O que impressiona nessas homenagens é que quase ninguém falou apenas de resultados.

Falaram da pessoa. Da energia. Do sorriso. Da forma como ela fazia os outros sentir. Isso não é pouco. Num meio onde a performance pode facilmente engolir a humanidade, Sabine deixou as duas coisas juntas.

A curva com o seu nome

Em Setembro de 2021, o Nürburgring inaugurou oficialmente a Sabine-Schmitz-Kurve. A curva fica na Nordschleife, perto da aldeia onde Sabine cresceu, e tornou-se a primeira curva do circuito com o nome de uma piloto mulher em mais de 90 anos de história da pista.

O Nürburgring explicou que a escolha daquele ponto tinha ligação directa à sua vida: a proximidade a Nürburg, aos fãs, à região e ao lugar que a formou. Também recordou que, além dela, apenas alguns trechos da pista tinham nomes de pilotos como Michael Schumacher, Rudolf Caracciola e Stefan Bellof. Nürburgring — Sabine-Schmitz-Kurve oficialmente inaugurada

Há homenagens que são bonitas, mas genéricas.

Esta não.

Dar o nome de Sabine a uma curva parece quase inevitável. Uma curva exige leitura, coragem, memória e precisão. Não é um monumento parado. É um lugar onde os carros continuam a passar, onde o corpo sente forças, onde cada piloto precisa de fazer uma escolha.

Para alguém como Sabine, talvez não houvesse homenagem mais certa.

A doença não deve ser o centro da história

Sabine revelou em 2020 que tinha sido diagnosticada com cancro em 2017. Morreu no ano seguinte, num hospital em Trier, na Alemanha.

É uma morte demasiado cedo. Cinquenta e um anos parece uma idade particularmente cruel quando pensamos numa pessoa tão associada a vitalidade, velocidade e riso.

Mas há um cuidado importante aqui: a doença não deve tornar-se o centro da história.

Sabine Schmitz não foi apenas alguém que morreu jovem. Foi alguém que viveu com uma intensidade muito própria. Foi piloto, apresentadora, empresária, figura local, celebridade internacional, companheira de equipa, condutora de Ring Taxi, mulher num espaço masculino, e uma das personalidades mais queridas do mundo automóvel.

A tristeza do fim existe. Mas não deve apagar a força do percurso.

Porque esta história pertence à A Boa Vida

A pergunta é legítima: por que publicar uma feature sobre Sabine Schmitz numa revista como a A Boa Vida?

Porque uma vida interessante não tem de ser suave para ser inspiradora.

Falamos muitas vezes de abrandar, de cuidar, de encontrar pequenos rituais, de dar sentido ao quotidiano. Mas também há pessoas cuja vida nos lembra que o bem-estar não é sempre calma, silêncio e chá numa chávena bonita. Às vezes, estar bem é sentir-se inteira num lugar exigente. É fazer com alegria aquilo que nos pede coragem. É não transformar a própria competência numa desculpa permanente.

Sabine não nos ensina a viver devagar.

Ensina outra coisa: a viver sem encolher.

E isso também faz parte de uma boa vida.

Ela mostra que o humor pode conviver com excelência. Que a leveza não é falta de seriedade. Que uma mulher pode ser tecnicamente brilhante sem perder a espontaneidade. Que há poder em conhecer profundamente um lugar, uma profissão, uma habilidade, até ao ponto em que o corpo parece saber antes das palavras.

Nem todas queremos conduzir a alta velocidade. Mas quase todas sabemos o que é entrar num espaço onde sentimos que temos de provar um pouco mais. Sabine respondia a isso de uma forma simples: fazia melhor.

O que fica de Sabine Schmitz

Ficam as vitórias de 1996 e 1997. Fica a Ford Transit no Top Gear. Ficam as milhares de voltas. Fica o Ring Taxi. Fica a Frikadelli Racing. Fica uma curva com o seu nome.

Mas fica também uma imagem menos oficial: Sabine a rir dentro de um carro, a explicar uma pista difícil com a naturalidade de quem fala da rua onde cresceu, a mostrar que competência e alegria não precisam de estar separadas.

Talvez seja isso que a tornou tão querida.

Ela não parecia tentar ser perfeita. Parecia tentar ser verdadeira no lugar que amava. E quando alguém encontra esse lugar — seja uma pista, uma cozinha, uma sala de aula, uma oficina, um palco, uma horta, uma estrada, uma secretária cheia de livros — há uma energia que se nota.

Sabine Schmitz conduzia como quem estava em casa.

E talvez seja por isso que ainda nos lembramos dela.

Sabine Schmitz ficou conhecida como a Rainha do Nürburgring, mas o seu legado é maior do que uma alcunha. Ela mostrou que a competência pode ser alegre, que o humor também é uma forma de autoridade e que ocupar o próprio lugar — especialmente quando esse lugar não estava à nossa espera — continua a ser uma das formas mais bonitas de coragem.
Sabine Schmitz no Deutsche Tourenwagen Challenge 90s. (Imagem: Facebook / Sabine Schmitz Motorsport)

Schmitz tenta pilotar uma van de entrega na pista de corrida de Nürburgring em menos de dez minutos. Cortesia do programa de TV Top Gear da BBC.

Sabine Schmitz na pista. Imagem: Facebook / Sabine Schmitz Motorsport

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