Um fato de banho bem escolhido não muda o corpo — muda a forma como entramos no Verão. / ABV
Nem sempre chegamos ao Verão com o corpo que tínhamos imaginado em Março. Mas isso não nos tira o direito à praia, ao mergulho, ao sol nem a um fato de banho que nos assente bem.
Algures entre Março e Abril, o plano parecia simples.
Íamos caminhar mais, beber mais água, jantar mais cedo, dormir melhor e desenvolver, talvez, uma relação muito madura com iogurte natural. Havia ainda a possibilidade remota de fazer alongamentos ao nascer do sol, mas essa parte sempre teve um ligeiro ar de ficção científica.
Depois veio a vida.
Vieram os jantares, os prazos, as hormonas, as viagens, a família, o trabalho, os aniversários, as dores nas costas, o cansaço, uma ou outra sobremesa com argumentos muito convincentes, e aquele tipo de semana em que o sofá parece exercer uma força magnética superior à da Lua.
E, mesmo assim, o Verão chegou.
Com ele, chega também a pergunta: que fato de banho vestir quando o corpo que levamos para a praia não é exactamente o corpo que tínhamos planeado?
A resposta começa aqui: o fato de banho certo não exige que nos transformemos noutra pessoa. Deve simplesmente assentar bem na pessoa que vai entrar na água.
Um fato de banho não é uma prova moral. É uma pequena peça de engenharia elástica.
Tem de se manter no sítio quando estamos de pé, sentados, molhados, a apanhar uma toalha do chão, a sair da água, a fugir de uma criança com uma bola, ou a tentar comer um gelado antes que ele se transforme numa tragédia de baunilha.
Se aperta, enrola, escorrega, marca demasiado, abre onde não deve ou obriga a pequenos ajustes constantes, talvez o problema não seja o corpo. Talvez seja mesmo o fato de banho.
Por isso, antes da cor, da tendência ou da fotografia bonita, vale a pena perguntar: onde preciso de apoio? No peito? Na cintura? Na anca? No tronco? Quero mais cobertura? Quero menos tecido? Preciso de alças ajustáveis? De uma cintura mais segura? De um corte mais comprido?
Isso não é vaidade. É conforto.
E o conforto muda a forma como entramos na praia.
Para mulheres: Se a ideia de vestir um fato de banho já a faz sentir demasiado exposta, comece pela estrutura. Um fato de banho inteiro, um tankini ou um biquíni de cintura subida podem dar apoio sem prender o corpo. Procure tecidos firmes, alças ajustáveis, aberturas confortáveis nas pernas e cobertura suficiente para não passar o dia a ajeitar tudo.
Para homens: Se a primeira reacção é esconder-se nuns calções enormes, respire. Demasiado tecido nem sempre disfarça; muitas vezes acrescenta volume e tira forma ao corpo. Uns calções de banho de comprimento médio, com cintura limpa e abertura de perna controlada, costumam resultar melhor do que modelos muito largos.
“Não precisa de ter um corpo perfeito ao milímetro para estar bem. Precisa apenas de roupa que lhe assente bem.”
— Rik Van Donk, fundador da Mocha SaltEsta é uma das zonas onde os conselhos de moda podem ficar desagradavelmente autoritários. A ideia não é “esconder a barriga” como se ela tivesse feito alguma coisa de errado. A ideia é escolher uma peça que permita sentar, andar, nadar e respirar sem desconforto.
Para mulheres, os franzidos suaves podem ser muito úteis. Cortes envelope, costuras diagonais, painéis centrais, linhas império e fatos de banho inteiros com alguma estrutura ajudam a acompanhar a zona média sem a comprimir em excesso. Um tankini também pode ser uma boa solução, sobretudo quando o corpo pede tamanhos diferentes em cima e em baixo.
Para homens, o melhor ponto de partida é uma cintura segura, mas não apertada. Calções com frente lisa, laterais ajustáveis e padrões discretos tendem a criar uma linha mais elegante. Evite os extremos: modelos tão justos que tornam o almoço arriscado, ou tão largos que parecem preparados para transportar uma prancha insuflável.
Para mulheres: Experimente franzidos, cortes envelope ou fatos de banho com painel central se procura mais apoio na zona média. A versão certa deve sentir-se firme e confortável, não como uma peça de shapewear que acordou maldisposta.
Para homens: Escolha calções com espaço suficiente na anca e na coxa, mas sem excesso de tecido na bainha. Um comprimento ligeiramente acima do joelho é, quase sempre, a opção mais segura e elegante.
Nas mulheres com ancas ou coxas mais marcadas, o equilíbrio costuma funcionar melhor do que a tentativa de esconder. Um top com cor, textura, estampado, folhos discretos ou corte assimétrico pode trazer atenção para a parte superior do corpo e equilibrar a silhueta.
As cuecas de cintura subida podem ser uma excelente escolha, desde que assentem bem. Se a cintura enrola, aperta ou corta quando se senta, o problema não é a anca. É o corte.
Nos homens com coxas mais fortes, os calções demasiado estreitos podem prender e marcar. Um corte direito, ligeiramente ajustado mas não colado, costuma funcionar melhor. A abertura da perna deve acompanhar o corpo, sem abrir demasiado para fora.
Nas mulheres com ombros mais largos, decotes em V, halteres e linhas diagonais ajudam a alongar visualmente a parte superior do corpo. Também pode trazer interesse para a parte de baixo com cor, textura, laços ou estampados.
Nos homens com peito ou ombros fortes, a melhor estratégia costuma ser a simplicidade. Se a parte superior do corpo já tem presença, os calções não precisam de competir. Uma cor sólida, uma risca discreta ou um padrão pequeno chegam perfeitamente.
Para mulheres: Decotes em V, halteres e costuras diagonais ajudam a equilibrar ombros mais marcados ou uma parte superior mais cheia. Se prefere mais cobertura, procure decotes alongados com alças largas.
Para homens: Uma parte superior forte geralmente resulta melhor com calções simples: nem demasiado curtos, nem demasiado compridos, nem demasiado ruidosos. A elegância está quase sempre na proporção.
Aqui, o apoio não é um detalhe. É a diferença entre aproveitar a praia e passar o dia a fazer pequenos ajustes técnicos em público.
Procure modelos com tamanhos de copa, aro, alças largas, bandas ajustáveis, copas moldadas, forro firme ou halteres que levantem de facto. Ter peito grande não significa usar algo aborrecido, mas significa que o fato de banho tem de cumprir a sua função.
E vale a pena lembrar: muitas mulheres precisam de tamanhos diferentes em cima e em baixo. Comprar peças separadas não é uma cedência. Muitas vezes, é a solução mais inteligente.
De vez em quando, enviamos histórias, ideias e pequenos detalhes que tornam o dia mais leve.
Um peito pequeno não precisa de ser “corrigido”. Mas, se quiser criar mais volume visual, pode usar textura, copas almofadadas, tops triangulares, bandeaus, folhos, franzidos, torções, tecidos com brilho ou padrões.
A vantagem é que pode, muitas vezes, usar cortes mais leves e delicados, com menos estrutura. Isso não é uma falha. É liberdade.
Para mulheres: Peitos maiores beneficiam de alças largas, aro, copa definida ou halter firme. Peitos mais pequenos podem usar modelos mais leves, texturados ou com detalhes. Nenhum corpo está errado. Só precisa de desenho adequado.
Para homens: A versão masculina desta regra está na cintura e na perna dos calções. Uma cintura bem construída, laterais ajustáveis ou corte mais alfaiatado fazem diferença no conforto e na aparência.
A moda praia em tamanhos grandes melhorou muito, mas os velhos conselhos ainda aparecem: use preto, tape tudo, tente parecer menor. Não, obrigada.
Um corpo curvilíneo pode ficar lindamente em cor, estampado, textura e cortes fortes. O que interessa é o apoio. Procure tecidos mais densos, forro frontal, alças largas, costuras sólidas, aberturas de perna confortáveis e peças que pareçam pensadas para curvas, não apenas aumentadas em tamanho.
Um biquíni não está proibido. Um modelo de cintura subida pode ser elegante, prático e mais fácil de ajustar do que um fato de banho inteiro. Um fato de banho com saia também pode ser bonito, se for uma escolha de estilo e não um pedido de desculpa.
Nos homens com corpo maior, a regra é parecida: não tente desaparecer dentro de tecido. Cores escuras e padrões discretos podem resultar muito bem, mas o verdadeiro segredo está no corte. Calções de comprimento médio, cintura firme e abertura de perna controlada costumam ser mais favorecedores do que modelos enormes.
Nas mulheres com uma silhueta mais direita ou atlética, franzidos, cintos, recortes, laços laterais, texturas e padrões podem criar movimento. Mas este tipo de corpo também veste muito bem linhas simples, desportivas e minimalistas. Não é obrigatório criar curvas se não for isso que deseja.
Nos homens mais magros, padrões, riscas horizontais, cor e textura podem dar presença. Calções muito compridos, porém, podem engolir a figura. Um corte acima do joelho costuma funcionar melhor.
Para mulheres: Se quiser criar mais movimento, experimente cintos, franzidos, recortes, laços laterais ou tecidos com textura. Se preferir um visual mais limpo, um fato de banho de decote quadrado ou um biquíni desportivo podem ser igualmente elegantes.
Para homens: Homens magros podem usar padrões e cor com facilidade. O segredo está na proporção: nada demasiado comprido, demasiado largo ou tão curto que pareça uma aposta entre amigos.
Nas mulheres mais baixas, alguns fatos de banho inteiros ficam demasiado compridos no tronco, criando tecido a mais ou falta de ajuste. Linhas petite, pernas ligeiramente mais subidas, padrões verticais, decotes alongados e estampados mais pequenos podem ajudar a alongar visualmente a silhueta.
Nos homens mais baixos, o comprimento dos calções muda quase tudo. Modelos acima do joelho, ou até a meio da coxa quando isso é confortável, ajudam a alongar a perna. Calções muito compridos podem encurtar visualmente o corpo.
Mulheres altas ou com tronco comprido conhecem bem aquele desconforto específico de um fato de banho inteiro que puxa em todos os sítios errados. Modelos long torso, biquínis e tankinis costumam resolver melhor o problema do que simplesmente aumentar o tamanho.
Nos homens altos, calções de comprimento médio tendem a funcionar melhor do que modelos muito curtos. Padrões maiores também podem resultar bem, porque há escala suficiente para os equilibrar. O cuidado é não escolher calções tão compridos que fiquem pesados.
Para mulheres: Corpos petite podem beneficiar de pernas mais subidas e linhas verticais; corpos altos ou com tronco comprido costumam precisar de fatos de banho cortados especificamente para essa proporção. Um fato de banho inteiro não deve parecer uma luta.
Para homens: Homens mais baixos tendem a beneficiar de calções mais curtos; homens altos podem usar bem modelos médios. Em ambos os casos, a bainha importa mais do que a tendência.
O preto é elegante. O azul-marinho também. Castanho, verde profundo, vermelho escuro e branco podem ser lindíssimos. Mas a cor não deve funcionar como um sistema de punição.
Se um fato de banho coral a faz sentir viva, use-o. Se uns calções brancos com camisa de linho o fazem sentir proprietário de um pequeno hotel no Mediterrâneo, aproveite a fantasia. Se um biquíni estampado lhe dá vontade de ir à água, essa alegria conta.
A cor mais favorecedora é, muitas vezes, aquela que muda a nossa postura.
A época dos fatos de banho pode tornar-nos estranhamente duros connosco.
As mulheres comparam-se a versões mais jovens do seu corpo. Os homens sentem a pressão de parecer mais secos, mais fortes, mais musculados. A meia-idade traz pele diferente, cicatrizes, peso, hormonas, cansaço, medicamentos, doenças, gravidade e tempo. Tudo isto aparece na praia connosco.
Mas a praia não é um tribunal.
Não devemos a ninguém uma barriga mais lisa, umas coxas mais firmes, uns ombros maiores, uma pele mais perfeita ou abdominais visíveis para termos autorização de nadar.
Um bom fato de banho ajuda. Um corte melhor ajuda. O apoio certo ajuda. Mas a permissão mais importante vem de outro lugar: da decisão de não adiar a vida até ao corpo ideal.
O corpo que temos agora também merece Verão.
O fato de banho certo não vai transformar o corpo até terça-feira. Poucas peças de roupa têm esse nível de compromisso laboral.
Mas pode fazer algo mais útil. Pode deixar de nos distrair. Pode permitir-nos caminhar até à água sem puxar alças, sentar sem calcular ângulos, mergulhar sem pensar na barriga, rir sem controlar a postura.
E talvez seja isso que procuramos, no fundo: não o fato de banho que nos torna outra pessoa, mas o que nos deixa viver melhor dentro da pessoa que já somos.
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