O vegetal mais saudável do mundo talvez já tenha passado pela sua sopa

- O agrião foi classificado com a pontuação máxima num estudo sobre densidade nutricional dos frutos e hortícolas.
- É rico em nutrientes importantes, incluindo vitamina K, vitamina C e compostos antioxidantes.
- Não precisa de ser complicado: pode entrar na rotina em sopas, saladas, sandes simples ou como acompanhamento.
Há legumes que entram na nossa vida sem fazer grande barulho. O agrião é um deles. Aparece numa sopa, numa salada simples, às vezes ao lado de um queijo fresco, e ninguém lhe faz grandes discursos.
Mas talvez devêssemos.
Porque é que o agrião se destaca
Num estudo publicado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), o organismo norte-americano de saúde pública, que avaliouque avaliou a densidade nutricional de vários frutos e hortícolas, o agrião ficou no topo da lista: recebeu a pontuação máxima, 100 em 100, por concentrar muitos nutrientes essenciais em poucas calorias. O estudo teve em conta 17 nutrientes, incluindo fibra, cálcio, ferro, potássio, proteína e várias vitaminas.
Ou seja, o agrião não é apenas “uma folha verde”. É uma pequena potência nutricional.
Tem aquele sabor apimentado, quase atrevido, que pode parecer forte à primeira dentada. Mas é precisamente essa personalidade que o torna tão interessante na cozinha. Em cru, funciona bem numa salada com maçã, laranja ou nozes. Numa sopa, suaviza-se e dá profundidade. Num prato simples de ovos, batatas ou peixe, corta a gordura e acorda tudo um pouco.
O que pode fazer pelo corpo
O valor do agrião está sobretudo na sua densidade: dá muito ao corpo sem pesar no prato. É rico em vitamina K, importante para a coagulação do sangue e para a saúde óssea; vitamina C, que ajuda o sistema imunitário e a formação de colagénio; e compostos antioxidantes, que ajudam as células a lidar com o chamado stress oxidativo. A Tabela da Composição de Alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) é uma boa referência portuguesa para consultar os nutrientes presentes nos alimentos consumidos em Portugal.
Como pertence à família das crucíferas — a mesma das couves, brócolos, rúcula e rabanetes — o agrião também contém compostos bioativos que têm sido estudados pelo seu possível papel protetor na saúde. O próprio estudo do Centers for Disease Control and Prevention classificou os chamados “powerhouse fruits and vegetables” com base em nutrientes associados à proteção contra doenças crónicas, incluindo alguns ligados à saúde cardiovascular e ao risco de cancro.
Há ainda outro ponto interessante: o agrião, tal como outros vegetais de folha verde, contém nitratos naturais. Estudos sobre nitratos alimentares sugerem que estes podem ajudar a função vascular e, em alguns contextos, contribuir para a redução da pressão arterial. Isto não transforma o agrião num medicamento — nem substitui acompanhamento médico — mas reforça uma ideia simples: pequenas escolhas repetidas no prato podem apoiar o corpo de forma silenciosa.
Como o trazer para a mesa
A melhor parte é que não precisamos de transformar o agrião numa obrigação de saúde. Não tem de aparecer em batidos verdes impossíveis, nem em pratos complicados. Pode entrar na rotina à moda antiga: uma mão-cheia na sopa, umas folhas no pão com queijo, um ramo misturado com alface, ou no fim de um caldo quente, já fora do lume, para não perder tanto frescor.
Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, através da Tabela da Composição de Alimentos, mantém dados nutricionais sobre alimentos consumidos no país, incluindo hortofrutícolas, uma boa lembrança de que a alimentação saudável não precisa de vir embrulhada em novidade. Muitas vezes, está mesmo ali, na banca dos frescos.
Claro que nenhum alimento, por mais nutritivo que seja, faz milagres sozinho. O segredo continua a ser variedade: couves, cenouras, espinafres, brócolos, feijão-verde, tomate, abóbora. Mas se houver espaço para mais uma folha no prato, o agrião merece voltar à conversa.
Talvez a avó já soubesse disto, sem precisar de uma pontuação científica.
Fontes úteis
CDC — estudo sobre densidade nutricional dos frutos e hortícolas: (CDC)
INSA / PortFIR — Tabela da Composição de Alimentos portuguesa: (portfir.insa.min-saude.pt)