Viajar de avião começa muito antes de nos sentarmos. Alguns cuidados simples durante o percurso podem tornar a experiência mais tranquila e higiénica. / aboavida
Mesas rebatíveis, apoios de braços, bolsos dos bancos e comandos passam por muitas mãos ao longo de um dia. Isso não significa que seja preciso desinfetar a cabine inteira antes de nos sentarmos.
Há um momento, pouco depois de nos sentarmos num avião, em que começamos a reparar em coisas que normalmente ignoraríamos.
A mesa que acabou de abrir. O botão do ecrã. O apoio de braços. O fecho da casa de banho. O pequeno compartimento onde acabámos de colocar o telemóvel.
Num espaço utilizado todos os dias por centenas de pessoas, é inevitável que muitas superfícies passem por muitas mãos. Estudos realizados em cabines de aviões encontraram microrganismos em mesas rebatíveis, apoios de braços, revestimentos dos bancos e controlos das casas de banho.
Mas há uma diferença importante entre encontrar microrganismos numa superfície e concluir que tocar-lhe representa necessariamente um risco elevado para a saúde.
É aí que convém colocar alguma perspetiva.
Se quiser limpar apenas uma superfície quando se senta, a mesa é provavelmente a escolha mais sensata.
Durante um voo, pode servir de apoio para o computador, telemóvel, copo, refeição, livro e braços. E é precisamente uma das zonas da cabine onde estudos encontraram níveis relativamente elevados de contaminação microbiana.
Não é preciso transformar o ritual numa operação de limpeza.
Passe um toalhete adequado, deixe a superfície secar e, se puder evitar, não coloque alimentos sem embalagem diretamente sobre a mesa.
A bolacha não precisa de conhecer a história completa do voo anterior.
É um dos pequenos luxos da classe económica: um lugar imediatamente à nossa frente onde podemos colocar o livro, os auscultadores ou o cartão de embarque.
O problema é que nem todos os passageiros o utilizam da mesma maneira.
Tripulantes de cabine têm relatado encontrar nesses bolsos lenços usados, restos de comida, embalagens e outro lixo. Algumas tripulações explicam também que os bolsos podem ser verificados e esvaziados entre voos sem receber necessariamente a mesma limpeza das superfícies rígidas mais expostas.
Isto não permite afirmar que o bolso do banco seja, cientificamente, “o lugar mais sujo do avião”.
Permite, contudo, fazer uma escolha simples.
Se um objeto vai depois tocar na sua cara ou ficar ao lado da comida, talvez seja preferível guardá-lo noutro sítio.
Não são as zonas mais dramáticas da cabine, mas estão entre aquelas em que tocamos com maior frequência.
Apoios de braços, botões do sistema de entretenimento, comandos do banco, luzes de leitura e controlos de ventilação são utilizados sucessivamente por diferentes passageiros.
Não há necessidade de limpar o banco inteiro.
Faz mais sentido concentrar a atenção nas superfícies que sabe que irá tocar várias vezes durante o voo.
O apoio de braços e o ecrã à sua frente são bons exemplos.
Uma casa de banho de avião é pequena, muito utilizada e cheia de superfícies de contacto.
Os pontos mais óbvios são também aqueles a que vale a pena prestar atenção: puxadores, fechos e controlos de descarga.
Investigações sobre contaminação em cabines de aviões identificaram precisamente puxadores de portas e botões de descarga entre as superfícies onde podem ser encontrados níveis relativamente elevados de contaminação microbiana.
Aqui, a medida mais importante continua a ser extremamente simples:
lavar bem as mãos antes de sair.
Se isso não for possível, um gel hidroalcoólico é uma alternativa prática até poder fazê-lo.
E há outro hábito que merece ficar fora das férias: entrar descalço ou apenas de meias numa casa de banho de avião.
Os sapatos podem esperar pelos nossos pés durante mais dois minutos.
Há quem se preocupe mais com o ar que circula dentro do avião do que com qualquer superfície.
Mas os grandes aviões comerciais utilizam uma combinação de ar exterior e ar recirculado. Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a parte recirculada passa por filtros HEPA capazes de captar 99,97% das partículas com 0,3 micrómetros ou mais.
O ar da cabine é também renovado cerca de 20 a 30 vezes por hora.
Isso não significa que seja impossível transmitir uma infeção respiratória num avião.
A proximidade entre passageiros continua a contar, sobretudo durante o embarque, o desembarque ou quando permanecemos durante muitas horas perto de outra pessoa.
Mas o pequeno ventilador por cima da cabeça não está simplesmente a devolver-lhe ar estagnado e sem filtragem.
Pode usá-lo sem culpa.
Existe outro conselho de viagem que circula há anos: nunca usar a água da torneira de um avião, nem sequer para lavar as mãos.
É uma afirmação demasiado absoluta.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os sistemas públicos de água das aeronaves abrangidos pela legislação federal estão sujeitos às regras da Environmental Protection Agency, que incluem desinfeção e lavagem periódicas, amostragem para bactérias coliformes e medidas corretivas quando são detetados problemas.
Isto não significa que nunca possa existir uma falha — nem que as regras sejam iguais em todos os países.
Significa apenas que não devemos transformar qualquer torneira de avião numa ameaça automática.
Para lavar as mãos, água e sabão continuam a ser uma escolha perfeitamente razoável.
Não é necessário limpar tudo aquilo que consegue alcançar a partir do seu lugar.
Quando se sentar, pode passar um toalhete na mesa, no apoio de braços e no ecrã ou comandos que vai utilizar.
Depois, guarde os toalhetes.
Ao longo do voo, há uma medida ainda mais importante: lavar ou desinfetar as mãos antes de comer e tentar não levar constantemente as mãos aos olhos, nariz e boca.
É uma estratégia muito menos espetacular.
Também é muito mais fácil de cumprir.
A qualidade do ar dentro de uma cabine de avião é melhor do que muita gente imagina.
Nos grandes aviões comerciais, o ar é renovado com muita frequência e a parte recirculada passa por filtros HEPA. Entretanto, as superfícies imediatamente à nossa frente podem ser tocadas sucessivamente por dezenas de pessoas.
Isso não elimina o risco de transmissão respiratória quando estamos perto de outros passageiros.
Mas ajuda a colocar as coisas em perspetiva.
Durante o voo, talvez valha a pena pensar um pouco menos no ar que sai do ventilador.
E um pouco mais nas nossas mãos.
Não precisa de entrar num avião preparado para desinfetar tudo o que encontra.
Limpe as poucas superfícies em que irá tocar repetidamente, não coloque alimentos diretamente sobre a mesa, lave ou desinfete as mãos antes de comer e calce os sapatos antes de ir à casa de banho.
Depois disso, sente-se.
Abra o livro, escolha um filme ou olhe pela janela.
Viajar já tem preocupações suficientes.
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