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O Botão em que Nunca Deve Carregar Num Multibanco no Estrangeiro — E Porquê Está a Fazê-lo Perder Dinheiro

A conversão automática oferecida por multibancos e terminais no estrangeiro pode custar-lhe muito mais do que imagina. Saiba porque deve escolher sempre a moeda local.

Imagem: Hanlin Sun

Viajar tem algo de transformador. Chegar a uma nova cidade, ouvir outra língua, descobrir sabores diferentes — tudo faz parte da experiência. Mas, antes mesmo da primeira refeição ou do primeiro passeio, há um gesto quase automático: procurar um multibanco para levantar dinheiro local.

Hoje, essa tarefa é simples. Os multibancos estão por toda a parte e o cartão resolve quase tudo. No entanto, essa facilidade esconde um detalhe pouco conhecido que pode tornar cada levantamento — ou pagamento — significativamente mais caro do que imagina.

Sempre que utiliza o cartão num país com moeda diferente, é provável que o ecrã lhe faça uma pergunta aparentemente inocente: quer ser cobrado na sua moeda ou na moeda local?

A resposta certa nem sempre é intuitiva.

Porque o “mais simples” raramente é o mais barato

À primeira vista, pagar na sua própria moeda parece conveniente. O valor surge imediatamente convertido e evita contas mentais. Mas essa comodidade tem um preço.

Ao escolher a sua moeda, está a aceitar um serviço chamado Conversão Dinâmica de Moeda (Dynamic Currency Conversion — DCC). Em vez de o câmbio ser feito pelo seu banco, passa a ser definido pelo operador do multibanco ou pelo comerciante.

E essa taxa costuma ser bastante desfavorável.

Na prática, pode incluir margens escondidas que variam entre 5% e 10% — ou mais, muito acima do câmbio aplicado pelos bancos ou pelas redes internacionais de pagamento.

Um exemplo real

Imagine uma viajante canadiana em Lisboa que decide levantar 200 €.

No ecrã surge a mensagem:

“Pode levantar 200 € por 336,64 $ CAD (inclui um acréscimo de 13,5%). Deseja aceitar a conversão?”

Ao recusar a conversão e escolher ser cobrada em euros, o banco no Canadá aplicou a sua própria taxa de câmbio, debitando cerca de 310 $ CAD, já com comissão incluída.

Resultado: uma poupança superior a 25 dólares canadianos, apenas por carregar em “Recusar conversão”.

Multiplique esse valor por vários levantamentos ou pagamentos ao longo de uma viagem — e a diferença torna-se significativa.


Não acontece só nos multibancos

A conversão dinâmica não se limita aos levantamentos de dinheiro.

Ela surge também em:

  • terminais de pagamento em lojas
  • restaurantes
  • hotéis
  • alugueres de automóveis

Sempre que o terminal pergunta se quer pagar na sua moeda ou na moeda local, a lógica é exatamente a mesma.

Escolher a moeda local quase sempre resulta numa taxa de câmbio mais justa.

Como funciona a conversão dinâmica (de forma simples)

Quando insere o cartão num país com moeda diferente, o sistema reconhece automaticamente que o cartão foi emitido no estrangeiro.

O terminal oferece então duas opções:

  • pagar ou levantar na moeda local, sem conversão imediata
  • pagar na sua moeda, com conversão feita pelo operador do terminal

Ao escolher a segunda opção, a conversão acontece ali mesmo, usando uma taxa definida por terceiros — não pelo seu banco.

Se optar pela moeda local, o valor é processado normalmente e a conversão só ocorre depois, já pelo seu banco, geralmente a uma taxa muito mais próxima da oficial.

A regra de ouro

Sempre que surgir a pergunta:

“Quer ser cobrado na sua moeda?”

A resposta deve ser não.

Escolha sempre:

  • “Cobrar na moeda local”
  • “Continuar sem conversão”
  • ou opção equivalente

É uma decisão simples que, na maioria dos casos, garante:

  • melhor taxa de câmbio
  • menos comissões ocultas
  • maior transparência no valor final

Outras dicas para poupar em viagem

  • Prefira multibancos de bancos reconhecidos, evitando máquinas independentes em zonas turísticas.
  • Verifique as comissões do seu cartão antes de viajar. Alguns bancos não cobram taxas no estrangeiro.
  • Evite levantamentos pequenos e frequentes, que multiplicam comissões fixas.
  • Considere cartões multimoeda ou de viagem, que usam taxas interbancárias e reduzem custos.

Pequenas decisões fazem grande diferença quando somadas ao longo da viagem.

Viajar com mais tranquilidade

Viajar deve ser sinónimo de descoberta, não de surpresas desagradáveis no extrato bancário.

Ao recusar a conversão automática e permitir que o seu banco trate do câmbio, está a proteger o seu dinheiro — sem esforço adicional, sem aplicações complexas e sem comprometer a experiência.

Da próxima vez que estiver perante aquele botão tentador de “Aceitar conversão”, lembre-se: o mais seguro é quase sempre recusar.

A sua carteira — e o seu orçamento de viagem — vão agradecer.

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