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Mãe que Escreveu Livro Sobre Luto é Condenada a Prisão Perpétua pelo Homicídio do Marido

Kouri Richins, que publicou um livro infantil sobre o luto depois da morte do marido, foi condenada no Utah a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A antiga agente imobiliária continua a negar o crime e deverá recorrer da decisão.

Kouri Richins em sua audiência preliminar.

O essencial

  • Kouri Richins foi condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo homicídio do marido, Eric Richins.
  • O tribunal considerou provado que Eric foi envenenado com fentanil num cocktail, em 2022.
  • Richins mantém a inocência, mas recebeu também penas consecutivas por tentativa de homicídio, fraude relacionada com seguros e falsificação.
Por Inês · Atualizado a 14 de maio de 2026 · Publicado originalmente a 30 de agosto de 2024 · Leitura: 5 minutos Escreve sobre relações humanas, vida quotidiana e histórias que revelam o lado mais complexo da experiência humana.

Há casos judiciais que ganham atenção pela gravidade dos factos. Outros tornam-se conhecidos também pelo contraste quase impossível entre a imagem pública e aquilo que, mais tarde, o tribunal considera ter acontecido em privado.

O caso de Kouri Richins juntou as duas coisas.

Kouri Richins, uma mãe de três filhos do Utah, nos Estados Unidos, que escreveu um livro infantil sobre o luto depois da morte do marido, foi condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional pelo homicídio de Eric Richins. A sentença foi lida a 13 de maio de 2026, precisamente no dia em que Eric faria 44 anos.

A decisão encerra uma parte central de um caso que atraiu atenção internacional: uma mulher que se apresentou publicamente como viúva a ajudar os filhos a lidar com a perda do pai foi, mais tarde, acusada — e agora condenada — por o ter envenenado.

Segundo a acusação, Kouri Richins matou o marido em março de 2022, ao misturar uma dose letal de fentanil num cocktail servido em casa, perto de Park City, no Utah. O casal estaria a celebrar o fecho de um negócio imobiliário. Eric Richins, então com 39 anos, foi encontrado sem vida no quarto. A autópsia revelou a presença de fentanil em quantidade várias vezes superior à dose letal.

O júri considerou Kouri Richins culpada de homicídio agravado em março de 2026. Foi também condenada por tentativa de homicídio, dois crimes relacionados com fraude em seguros e falsificação. De acordo com a CBS News, essas penas adicionais foram fixadas de forma consecutiva, incluindo uma pena de cinco anos a prisão perpétua pela tentativa de homicídio.

No momento da sentença, o juiz Richard Mrazik afirmou que alguém condenado por estes factos era “simplesmente demasiado perigoso para alguma vez voltar a ser livre”.

A tentativa anterior

A decisão do tribunal não se centrou apenas na noite da morte de Eric Richins.

Durante o julgamento, os procuradores defenderam que Kouri já teria tentado matar o marido algumas semanas antes, no Dia dos Namorados, ao colocar fentanil numa sanduíche. Eric ficou gravemente doente, mas sobreviveu. Essa alegada tentativa anterior tornou-se uma das peças centrais da acusação e levou à condenação por tentativa de homicídio.

Para a acusação, a morte de Eric não foi um acidente, nem uma overdose voluntária, mas o resultado de uma sequência de actos planeados.

A defesa, pelo contrário, argumentou durante o processo que Eric poderia ter consumido medicamentos ou substâncias por iniciativa própria e sugeriu que o caso era construído sobretudo sobre prova circunstancial. Kouri Richins não testemunhou no julgamento, mas falou durante a audiência de sentença, mantendo a sua inocência e dizendo que a acusação era falsa.

O motivo financeiro apontado pela acusação

O dinheiro esteve no centro do caso.

Os procuradores apresentaram Kouri Richins como uma mulher sob forte pressão financeira, envolvida em negócios imobiliários e com dívidas elevadas. Segundo a acusação, acreditava que poderia beneficiar da morte do marido através da herança e de apólices de seguro de vida. Várias fontes judiciais e jornalísticas indicam que os procuradores falaram de uma herança avaliada em mais de 4 milhões de dólares e de seguros de vida feitos sem o conhecimento de Eric.

Kouri Richins / Facebook

O caso tornou-se ainda mais invulgar porque, cerca de um ano depois da morte do marido, Kouri publicou Are You With Me?, um livro infantil sobre uma criança que tenta lidar com a morte do pai. Na altura, apresentou o livro como uma forma de ajudar os seus três filhos a atravessar o luto.

Essa imagem pública — a de uma mãe a escrever sobre a perda — ficou agora inseparável da sentença que a condena por ter provocado essa mesma perda.

As palavras dos filhos e da família

A audiência de sentença foi marcada por declarações da família de Eric Richins e por mensagens dos três filhos do casal, que eram ainda crianças quando o pai morreu.

Segundo relatos da audiência, os filhos pediram ao tribunal que a mãe fosse condenada a prisão perpétua. Familiares de Eric também defenderam que qualquer possibilidade de libertação futura prolongaria o medo e a insegurança da família.

Kouri Richins falou diretamente aos filhos durante a audiência. Pediu-lhes que não desistissem dela e disse-lhes para serem como o pai. Ao mesmo tempo, continuou a negar responsabilidade pela morte de Eric.

O juiz acabou por concluir que a segurança dos filhos e da família de Eric devia pesar de forma decisiva na sentença. A pena máxima — prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional — significa que Kouri Richins não poderá pedir libertação antecipada.

O que ainda pode acontecer

Apesar da sentença, o caso poderá continuar nos tribunais.

Os advogados de Kouri Richins indicaram que pretendem recorrer da condenação e da sentença. Além disso, Richins enfrenta ainda processos separados relacionados com alegada fraude financeira, incluindo acusações ligadas a crédito, falsificação e movimentações financeiras feitas antes da morte do marido.

Para já, porém, a decisão principal está tomada: Kouri Richins foi condenada pelo homicídio de Eric Richins e passará o resto da vida na prisão, salvo alteração futura em recurso.

É uma história que começou, publicamente, como uma narrativa sobre luto.

Terminou, pelo menos nesta fase, como uma das condenações criminais mais mediáticas dos Estados Unidos nos últimos anos.

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